quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


Hoje eu lembrei de quem eu sou. Pelos olhos de vocês. Cinco sentimentos num laço de pertencimento, reconhecimento e acalanto.
Como é bom lembrar que mesmo envolvidos em nossos, por acaso, mundos particulares, quando saímos da casca temos o alívio desse encontro. É a mão do mundo que nos segura. Essas pessoas com traços individuais tão fortes, passando pelas vidas alheias com esforço para caber, para compreender, para ser entendido.
Na maior parte do tempo, é o silêncio que nos escuta, ou pelas máscaras, aprendemos a falar e a ouvir, mas hoje foi natural... As palavras, os sorrisos rasos e as gargalhadas, lágrimas silenciosas e as certezas. Hoje foi natural. Que bom.
Procurei o que mais dizer, que simples é o que não nos define, mas fiquei com a lembrança, que é a mais fiel palavra.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mesmo o domingo mais feliz vai embora triste... Adiando os sonhos e se despedindo de mais uma chance.

Não queria admitir, mas também guardo o melhor de mim numa gaveta para começar uma semana, não posso me colocar por inteiro no ciclo de consumição dessa vida “moderna”; meu trabalho é me preservar das insuportáveis repetições alimentando os pensamentos. Acreditar ainda me salva...

Num esforço para sentir as coisas ao redor, fujo da anestesia que o mundo ensina; não quero me reduzir não quero me reduzir, não quero me reduzir... Repito, confrontando a imagem que vejo no meu espelho do mundo, que carrego comigo oito ou doze horas por dia. Se sobra algo no fim, de cada dia, tento construir a ponte entre mim e o lugar seguro que me guarda.

Mas o que ecoa é saber que sentar à margem é muito solitário... E que a vida pede para diminuir os sentimentos, para que eles caibam.

Tanto mais sinto crescer aqui dentro, tanto menor fica tudo aí fora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Todo mundo tem uma história 'do' amor


"Então por que apenas não poupamos um ao outro de uma vida mundana de desapontamento esmagador e apenas fazemos isso com outra pessoa."


Um amor só cabe onde podem caber outros livres sentimentos.

Um amor tem que ser instrumento da liberdade, não deve punir, não precisa aprisionar em expectativas e fantasias.
Um amor tem que receber outro amor com simpatia, se oferecer para segurar sua bagagem; ele é casa para qualquer outro que esteja sem abrigo.
Um amor não tolhe, ele planta, ele cultiva.
Um amor nunca pediria silêncio a outro amor; sabe que tudo nele é grito.
Vamos lembrar de colocar do nosso lado somente aquelas pessoas que estão dispostas a nos receber com tudo. Já temos suficientemente pessoas que não escolhemos, e que querem dispensar uma ou outra parte de nós... Mas o amor não escolhe partes.





Imagem do filme "Os Românticos"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sempre fico como criança feliz quando tenho o território livre; para as minhas brincadeiras de cantar, olhar os livros ao redor me esperando, me emocionar com os cheiros, pensamentos, e qualquer coisa que aflore. Como criança, construo meu particular mundo nesses momentos e é exatamente a melhor maneira de sentir uma felicidade tranquila, sem expectativas, não ameaçada, porque é construída apenas na minha capacidade, na liberdade dos meus sentidos. Tão simples quanto dito em poemas.

domingo, 19 de junho de 2011

"O óbvio ululante"

Um amigo posta no facebook: “Porque livro nesse país é uma coisa tão cara? Sempre achei isso intrigante...” Sem muito esforço penso, e respondo: “É porque cd de forró é de graça.”
Antes de achar meu raciocínio arrogante, porque provavelmente você gosta, afinal você vive na cidade do forró, e o exercício mais fácil e rápido é defender o que se relaciona com os nossos sentidos, por isso mesmo respondi tão fácil a indagação dele. Pense.
Quantas vezes você aguardou ansiosamente aquele dia de folga para pegar o seu livro que está insuportavelmente interessante, e devorá-lo. Quantas vezes você se sentiu renovar com uma leitura intrigante, construtiva. (...?) E quantas vezes você usou o seu tempo de folga para ir a festas, ouvir a música de forró do momento, ou beber exageradamente até chegar o próximo dia? Ah, você não gosta de ler, fazer o quê. Então, fique ciente, você não gosta de saber, você não gosta de se posicionar, você não gosta de ter o mínimo de capital intelectual. E a minha leitura sobre isso não está sendo preconceituosa, mas factual.
O que também é fato é que, conheço pessoas que não tem contato constante com os livros, mas possuem uma sabedoria inigualável, pessoas que até não concluíram os estudos regulares, mas sabem tanto de vida... Isso se dá pela capacidade reflexiva, crítica, e não menos, pelo percentual de humanidade que elas alimentam e plantam em si mesmas.
Está certo que para ser sábio não é preciso diploma, mas não é se atendo ao mundano, frívolo, que se chega ao menos perto. E por que sabedoria? É dela que deve vir todo o resto que valha a pena...
Acreditando em sentimentos verdadeiros, em respeito, em paixão e compaixão, em um olhar ameno sobre os outros, acreditando em olhar além de si, acredito na sabedoria, sabedoria de viver. E a questão é que não se consegue essa sabedoria em músicas que falam de pegar, beber, gastar... Por aí o raciocínio mais que lógico.
Li agora a pouco, o também óbvio, “a consciência coletiva é uma massa burra”. Ponto! Música, filme, novela, livro... Essas coisas servem para entreter, informar, atingir os sentidos. E é através delas que determinadas mentes e consciências chegam ao coletivo, no entanto, com a intenção de induzir, desinformar e atrofiar os sentidos!
Determinado gênero de livro ganhou a grande massa com um viés “torto” sobre a vida e os caminhos certos para a felicidade, o dinheiro e o amor. Esses livros vendem milhões; a televisão faz sua parte ganhando um bocado disso e ajuda a vender mais uns milhões, nessa ordem a propaganda em outros meios querendo também a sua ponta, ajuda a divulgar a “verdadeira fórmula” da vida plena; esses meios ajudam a validar os conceitos usados nos livros. Por ai mais uma vez o raciocínio.
Por aqui, é preciso atentar para o fato, tradição e cultura se diferenciam de diversão financiada por um grupo A, que domina boa parte da cidade com suas atrações musicais que se beneficiam da preguiça de pensar do povo (por isso as músicas usam tantos refrões, e o mesmo vocabulário e tema). E outra coisa irritante; estilo e moda não significam pessoas usando roupas iguais!
É cansativo andar de encontro ao vento. Mas é a melhor caminhada... Dá para sentir cada passo. Enquanto na outra direção do caminho, não se tem controle sobre o ritmo das passadas, e o vento é tão forte, que até não é preciso algumas vezes pisar o chão...
Para seguir o bonde, ou quem sabe a carroça, não é preciso saber mais do que o que “todo mundo sabe.” Mas a vida pede mais que isso.
A vida pede para ser humano, e, parece, o que “todo mundo” esqueceu, é que a principal qualidade de humano é a racionalidade. Com o que as pessoas têm para oferecer ultimamente, isso está ficando raro.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ei, pessoas fashions do mundo! Me deixem ser bááásica!


Sem salto, sem batom. Sim, eu sou uma mulher!
Não uso base, acreditam??? Vez em quando um pó...
Adoro minhas calcinhas rasgadas, saio com roupas repetidas em dias repetidos, quando não quero, não penteio o cabelo!! Sim... Ainda sou uma mulher!
Meu look fashion é short e all star, a bolsa que cabe tudo, porque carrego nécessaire sim, e o óculos de sol quando é preciso. Nesse estilo estou armada e pronta para o mundo!
Quando canso de mim, pego um livro na minha bolsa básica, ou observo atenta as que eu não sou, pra retornar a mim satisfeita. Quando o espelho fica calado, embaçado, procuro um sorriso pra ter colorido na minha combinação. Meus pés calçados não mais de asas, pisam discretos e firmes pelo caminho.
Moça do vestido de chita, de chinelos, cabelo e cabeça livres, e simples. O básico.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O currículo amoroso


Vamos descansar as partes do cérebro que permitem grandes reflexões. É preciso também descontrair... E pensar sobre o currículo amoroso não só serve de grande descontração, como proporciona graaaaande diversão!
Foi Nelson Rodrigues quem disse “Inclusive o nosso mau gosto também é filho de Deus e é preciso que ele tenha a sua colher de chá.” Ainda bem que ele, Nelson, nos deu essa colher de chá, só assim para não correr o risco de se condenar pensando “onde eu tava com a cabeça?!”
Desde primeiro amor com direito ao primeiro beijo, à diversão de uma noite, tem muita pedrinha no caminho e desabafo com as amigas...
É mais ou menos assim... Quando você pensou que o cara era o bom e velho tuuuuuudo-de-bom, começou errando... Desse cavalo você já está destinada a cair, aguarde. Homens e a incrível capacidade de frustrar expectativas, acredite.
Você começa com explosivas paixões, claro, são rituais sagrados de passagem (do inferno pro inferninho), ao abrir os olhos ao acordar, depois de uma noite reveladora, se dá conta: está com-ple-ta-men-te apaixonada! É o primeiro dia de muitos de aventura...
Contrariando as tecnologias, passa a mandar cartas, contrariando o bom senso (o primeiro a sair de cena nesses casos) preenche os dias com fantasias e músicas dramáticas.
Passada a primeira lição (veja bem, passada, não aprendida) em algum lugar alguém disse “vamos nos permitir” e inventou a melhor desculpa para quem se apaixona e descarrila. Vamos nós de novo...
E quando chega a hora do sério relacionamento, fica pior. O sério relacionamento significa que agora você vai lidar com todas as coisas problemáticas de sempre: imaturidade, irresponsabilidade, bebedeira, traição. Só que, você vai ter que agüentar! Não precisa engolir o choro. É... Você está num relacionamento sééério, vocês falaram de como ia ser a cara dos filhinhos... Agora vai ter que discutir a cagada que ele fez, e, muito provavelmente, perdoar.
Você não é dessas? Ah, então é daquelas que nunca descobrem.
Bom, e quando a cagada é muito grande e não tem jeito, tem que pular pra frente; você vai logo pensando: dessa vez quero um cara mais maduro, mais velho. Pula da casa dos 20 pros 30, pra finalmente descobrir... Não muda nada! É minha irmã, o mundo é cruel conosco...
Agora já chega. Nada de relacionamento, paixão nem pensar, é hora de se buscar, se curtir... É hora de pegar geral!!!!
...

Minha irmã, minha amiga, no começo vai dar certo, mas logo inicia uma coceirinha pelo corpo. E aquele telefone que não toca mais nos horários marcados e as mensagens que não chegam na madrugada, não vão te deixar em paz. Nem adianta tentar o produto importado, achando que os lá de fora não vêm também com defeitos, a profecia já foi lançada, o nosso destino é essa pendenga!
O currículo amoroso não serve nem pra ser consultado no caso de próximas contratações. A embalagem faz parecer que o conteúdo é novo, mas o gostinho, é o mesmo.
E é assim o nosso mundo... Se você pensa que todo esse “fuxico” não serviu para alcançar o seu objetivo, se realizar, se encontrar... Serviu sim. Mande essa história para as suas amigas, para as mulheres que você conhece, e vai se sentir total e completamente parte desse mundo!

Beijos!!!!

Cinthia Freitas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011


Tenho tanto medo de me fazer igual, que as mínimas escolhas do meu dia são carregadas de responsabilidade e expectativas por uma identidade fora do comum. Como sou tão preconceituosa! Escrava de conceitos pretensiosos... E participante de uma quase infantil necessidade de se saber, coisas dessas que afloram na adolescência com força, mas que na verdade, passam por toda a nossa existência sendo a principal questão. Mas é que esse mundo já transborda de falta... Falta de uma coragem genuína, sem cópias de desgastados modelos, de deixar vir tudo aquilo que pulsa, falta de saber se compreender sem precisar olhar o manual do certo e errado, falta de apenas se deixar ser...
Tenho medo de ser igual e ser obrigada a provar as etapas frustrantes do caminho, tenho medo de ser obrigada a largar o que acredito, pra fazer parte do que valha. Eu realmente considero as possibilidades, releio as opções, me recuso a apenas seguir as setas.
Quero poder mais que repetir o refrão, só isso...

domingo, 3 de abril de 2011

Criança abrindo presentes de natal; as noites de domingo, em casa, me trazem a mesma felicidade. Vazia, acolhedora, cúmplice dos secretos murmúrios, a casa, e eu.
Espero a semana toda por essa solidão, enquanto os outros rezam eu canto uma oração(sem pretensão de rimar)... “a depender de mim, os psicanalistas estão fritos, eu mesmo é que resolvo os meus conflitos, com aspirina amor ou com cachaça”. Depois danço pro espelho, meu confessionário, e sorrio de mim.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Estupidez. Um nome para muitas coisas que me rondam. Aliás, rondar me lembra moscas, essas coisinhas que só sabem zumbir insuportavelmente e, claro, incomodar.
Não bastasse a luta incessante de cada indivíduo para se colocar no mundo de alguma forma, tem a tal e não menos cruel luta íntima. Nós, em nós, conosco.
Por que luto? Para suportar duas velhas amigas do meu convívio: a Estupidez e a Hipocrisia. Luto para não deixá-las tão íntimas, luto para não me enxergar nelas. Tenho muito de humano, sensato, emocional, para ser desperdiçado dando lugar à essas velhas pobres de espírito.
Como é difícil ser rei em terra de cegos.
Os textos deste blog são de minha inteira autoria, excetuando eventuais publicações de autoria de terceiros que são devidamente reconhecidas.
Agradeço, de coração, a visita !



Cinthia Freitas