Um amigo posta no facebook: “Porque livro nesse país é uma coisa tão cara? Sempre achei isso intrigante...” Sem muito esforço penso, e respondo: “É porque cd de forró é de graça.”
Antes de achar meu raciocínio arrogante, porque provavelmente você gosta, afinal você vive na cidade do forró, e o exercício mais fácil e rápido é defender o que se relaciona com os nossos sentidos, por isso mesmo respondi tão fácil a indagação dele. Pense.
Quantas vezes você aguardou ansiosamente aquele dia de folga para pegar o seu livro que está insuportavelmente interessante, e devorá-lo. Quantas vezes você se sentiu renovar com uma leitura intrigante, construtiva. (...?) E quantas vezes você usou o seu tempo de folga para ir a festas, ouvir a música de forró do momento, ou beber exageradamente até chegar o próximo dia? Ah, você não gosta de ler, fazer o quê. Então, fique ciente, você não gosta de saber, você não gosta de se posicionar, você não gosta de ter o mínimo de capital intelectual. E a minha leitura sobre isso não está sendo preconceituosa, mas factual.
O que também é fato é que, conheço pessoas que não tem contato constante com os livros, mas possuem uma sabedoria inigualável, pessoas que até não concluíram os estudos regulares, mas sabem tanto de vida... Isso se dá pela capacidade reflexiva, crítica, e não menos, pelo percentual de humanidade que elas alimentam e plantam em si mesmas.
Está certo que para ser sábio não é preciso diploma, mas não é se atendo ao mundano, frívolo, que se chega ao menos perto. E por que sabedoria? É dela que deve vir todo o resto que valha a pena...
Acreditando em sentimentos verdadeiros, em respeito, em paixão e compaixão, em um olhar ameno sobre os outros, acreditando em olhar além de si, acredito na sabedoria, sabedoria de viver. E a questão é que não se consegue essa sabedoria em músicas que falam de pegar, beber, gastar... Por aí o raciocínio mais que lógico.
Li agora a pouco, o também óbvio, “a consciência coletiva é uma massa burra”. Ponto! Música, filme, novela, livro... Essas coisas servem para entreter, informar, atingir os sentidos. E é através delas que determinadas mentes e consciências chegam ao coletivo, no entanto, com a intenção de induzir, desinformar e atrofiar os sentidos!
Determinado gênero de livro ganhou a grande massa com um viés “torto” sobre a vida e os caminhos certos para a felicidade, o dinheiro e o amor. Esses livros vendem milhões; a televisão faz sua parte ganhando um bocado disso e ajuda a vender mais uns milhões, nessa ordem a propaganda em outros meios querendo também a sua ponta, ajuda a divulgar a “verdadeira fórmula” da vida plena; esses meios ajudam a validar os conceitos usados nos livros. Por ai mais uma vez o raciocínio.
Por aqui, é preciso atentar para o fato, tradição e cultura se diferenciam de diversão financiada por um grupo A, que domina boa parte da cidade com suas atrações musicais que se beneficiam da preguiça de pensar do povo (por isso as músicas usam tantos refrões, e o mesmo vocabulário e tema). E outra coisa irritante; estilo e moda não significam pessoas usando roupas iguais!
É cansativo andar de encontro ao vento. Mas é a melhor caminhada... Dá para sentir cada passo. Enquanto na outra direção do caminho, não se tem controle sobre o ritmo das passadas, e o vento é tão forte, que até não é preciso algumas vezes pisar o chão...
Para seguir o bonde, ou quem sabe a carroça, não é preciso saber mais do que o que “todo mundo sabe.” Mas a vida pede mais que isso.
A vida pede para ser humano, e, parece, o que “todo mundo” esqueceu, é que a principal qualidade de humano é a racionalidade. Com o que as pessoas têm para oferecer ultimamente, isso está ficando raro.
domingo, 19 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Ei, pessoas fashions do mundo! Me deixem ser bááásica!
Sem salto, sem batom. Sim, eu sou uma mulher!
Não uso base, acreditam??? Vez em quando um pó...
Adoro minhas calcinhas rasgadas, saio com roupas repetidas em dias repetidos, quando não quero, não penteio o cabelo!! Sim... Ainda sou uma mulher!
Meu look fashion é short e all star, a bolsa que cabe tudo, porque carrego nécessaire sim, e o óculos de sol quando é preciso. Nesse estilo estou armada e pronta para o mundo!
Quando canso de mim, pego um livro na minha bolsa básica, ou observo atenta as que eu não sou, pra retornar a mim satisfeita. Quando o espelho fica calado, embaçado, procuro um sorriso pra ter colorido na minha combinação. Meus pés calçados não mais de asas, pisam discretos e firmes pelo caminho.
Moça do vestido de chita, de chinelos, cabelo e cabeça livres, e simples. O básico.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O currículo amoroso

Vamos descansar as partes do cérebro que permitem grandes reflexões. É preciso também descontrair... E pensar sobre o currículo amoroso não só serve de grande descontração, como proporciona graaaaande diversão!
Foi Nelson Rodrigues quem disse “Inclusive o nosso mau gosto também é filho de Deus e é preciso que ele tenha a sua colher de chá.” Ainda bem que ele, Nelson, nos deu essa colher de chá, só assim para não correr o risco de se condenar pensando “onde eu tava com a cabeça?!”
Desde primeiro amor com direito ao primeiro beijo, à diversão de uma noite, tem muita pedrinha no caminho e desabafo com as amigas...
É mais ou menos assim... Quando você pensou que o cara era o bom e velho tuuuuuudo-de-bom, começou errando... Desse cavalo você já está destinada a cair, aguarde. Homens e a incrível capacidade de frustrar expectativas, acredite.
Você começa com explosivas paixões, claro, são rituais sagrados de passagem (do inferno pro inferninho), ao abrir os olhos ao acordar, depois de uma noite reveladora, se dá conta: está com-ple-ta-men-te apaixonada! É o primeiro dia de muitos de aventura...
Contrariando as tecnologias, passa a mandar cartas, contrariando o bom senso (o primeiro a sair de cena nesses casos) preenche os dias com fantasias e músicas dramáticas.
Passada a primeira lição (veja bem, passada, não aprendida) em algum lugar alguém disse “vamos nos permitir” e inventou a melhor desculpa para quem se apaixona e descarrila. Vamos nós de novo...
E quando chega a hora do sério relacionamento, fica pior. O sério relacionamento significa que agora você vai lidar com todas as coisas problemáticas de sempre: imaturidade, irresponsabilidade, bebedeira, traição. Só que, você vai ter que agüentar! Não precisa engolir o choro. É... Você está num relacionamento sééério, vocês falaram de como ia ser a cara dos filhinhos... Agora vai ter que discutir a cagada que ele fez, e, muito provavelmente, perdoar.
Você não é dessas? Ah, então é daquelas que nunca descobrem.
Bom, e quando a cagada é muito grande e não tem jeito, tem que pular pra frente; você vai logo pensando: dessa vez quero um cara mais maduro, mais velho. Pula da casa dos 20 pros 30, pra finalmente descobrir... Não muda nada! É minha irmã, o mundo é cruel conosco...
Agora já chega. Nada de relacionamento, paixão nem pensar, é hora de se buscar, se curtir... É hora de pegar geral!!!!
...
Minha irmã, minha amiga, no começo vai dar certo, mas logo inicia uma coceirinha pelo corpo. E aquele telefone que não toca mais nos horários marcados e as mensagens que não chegam na madrugada, não vão te deixar em paz. Nem adianta tentar o produto importado, achando que os lá de fora não vêm também com defeitos, a profecia já foi lançada, o nosso destino é essa pendenga!
O currículo amoroso não serve nem pra ser consultado no caso de próximas contratações. A embalagem faz parecer que o conteúdo é novo, mas o gostinho, é o mesmo.
E é assim o nosso mundo... Se você pensa que todo esse “fuxico” não serviu para alcançar o seu objetivo, se realizar, se encontrar... Serviu sim. Mande essa história para as suas amigas, para as mulheres que você conhece, e vai se sentir total e completamente parte desse mundo!
Beijos!!!!
Cinthia Freitas.
quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tenho tanto medo de me fazer igual, que as mínimas escolhas do meu dia são carregadas de responsabilidade e expectativas por uma identidade fora do comum. Como sou tão preconceituosa! Escrava de conceitos pretensiosos... E participante de uma quase infantil necessidade de se saber, coisas dessas que afloram na adolescência com força, mas que na verdade, passam por toda a nossa existência sendo a principal questão. Mas é que esse mundo já transborda de falta... Falta de uma coragem genuína, sem cópias de desgastados modelos, de deixar vir tudo aquilo que pulsa, falta de saber se compreender sem precisar olhar o manual do certo e errado, falta de apenas se deixar ser...
Tenho medo de ser igual e ser obrigada a provar as etapas frustrantes do caminho, tenho medo de ser obrigada a largar o que acredito, pra fazer parte do que valha. Eu realmente considero as possibilidades, releio as opções, me recuso a apenas seguir as setas.
Quero poder mais que repetir o refrão, só isso...
domingo, 3 de abril de 2011
Criança abrindo presentes de natal; as noites de domingo, em casa, me trazem a mesma felicidade. Vazia, acolhedora, cúmplice dos secretos murmúrios, a casa, e eu.
Espero a semana toda por essa solidão, enquanto os outros rezam eu canto uma oração(sem pretensão de rimar)... “a depender de mim, os psicanalistas estão fritos, eu mesmo é que resolvo os meus conflitos, com aspirina amor ou com cachaça”. Depois danço pro espelho, meu confessionário, e sorrio de mim.
Espero a semana toda por essa solidão, enquanto os outros rezam eu canto uma oração(sem pretensão de rimar)... “a depender de mim, os psicanalistas estão fritos, eu mesmo é que resolvo os meus conflitos, com aspirina amor ou com cachaça”. Depois danço pro espelho, meu confessionário, e sorrio de mim.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Estupidez. Um nome para muitas coisas que me rondam. Aliás, rondar me lembra moscas, essas coisinhas que só sabem zumbir insuportavelmente e, claro, incomodar.
Não bastasse a luta incessante de cada indivíduo para se colocar no mundo de alguma forma, tem a tal e não menos cruel luta íntima. Nós, em nós, conosco.
Por que luto? Para suportar duas velhas amigas do meu convívio: a Estupidez e a Hipocrisia. Luto para não deixá-las tão íntimas, luto para não me enxergar nelas. Tenho muito de humano, sensato, emocional, para ser desperdiçado dando lugar à essas velhas pobres de espírito.
Como é difícil ser rei em terra de cegos.
Não bastasse a luta incessante de cada indivíduo para se colocar no mundo de alguma forma, tem a tal e não menos cruel luta íntima. Nós, em nós, conosco.
Por que luto? Para suportar duas velhas amigas do meu convívio: a Estupidez e a Hipocrisia. Luto para não deixá-las tão íntimas, luto para não me enxergar nelas. Tenho muito de humano, sensato, emocional, para ser desperdiçado dando lugar à essas velhas pobres de espírito.
Como é difícil ser rei em terra de cegos.
quarta-feira, 9 de março de 2011

É incrível a minha carência de contato, de afeto, de afirmação. Não sei onde eu me perdi, que fiquei tão vazia, tão incompleta... O tempo inteiro sinto a necessidade de me agarrar, me segurar. Nossa... É porque não sei pra onde tô indo. E parece que o mundo todo se encontra, se aquieta, se resolve; e só eu fico aqui com as mãos estendidas, esperando alguém que segure firme, que talvez nem precise me guiar, mas muito mais que me agarre de tal forma, que eu saiba que posso ir por qualquer caminho. Estou tão covarde que preciso culpar alguém por minhas escolhas.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Piso duro, queixo erguido. Lanço um olhar, sobrancelha arqueada, pra um idiotinha qualquer que me atravessa. Tenho curta paciência pra curtos neurônios, pra pouca sensibilidade; curtas palavras, nada a dizer, pra quem não sabe o que quer ouvir.
Minha rebeldia me veio hoje, tardia; nunca na adolescência, ou antes, me filiei, adorei bandas, segui modinhas, fundamentei meus sentimentos sobre o mundo em coisas fora de mim; sempre me achei autora daquilo que vive aqui dentro, mesmo que ouvisse parecido de outros, eu me era, sozinha comigo em infindas noites num mundo-quarto, era criadora de mim e do mundo. Mas quanto não sabia... Quanto não sei...
Me ‘imaginei’ quantas vezes romper a bolha de imaginações em que vivia, e finalmente experimentar as borbulhas da minha alma, sair do intocável e experimentar as sensações. Sempre usei muito bem meu tempo pensando, mastigando idéias, mas não é suficiente, não pode ser.
É justo que minha natureza revolucionária vá ao mundo, se manifeste concretamente. Até que descobri onde eu me fixaria com toda minha alma e a ela permitiria um lugar de liberdade. Nas palavras. Não tive circunstâncias que me levassem a desabrochar de outra maneira, a não ser essa silenciosa, quieta em princípio, mas capaz de causar arroubos como qualquer revolução.
A palavra é como grito minhas batalhas íntimas e invisíveis a vocês, outros; é como me ponho, é por onde me chegam, por onde eu sigo.
Poderia ter sido uma rebelde em época certa, me encaixaria numa adolescente punk, hippie, rock; tenho sentimentos pra qualquer uma dessas vias, mas estive aqui, em mim, colhendo meu próprio material, fazendo meu repertório solo.
Cultivo uma pose pouco simpática, mas é pra quem me olha rápido, fácil, quem me olha devagar e com cuidado sabe ter de mim o que é bom. Ouvi o Lobão cantar agora que “há sempre uma outra pose por trás de quem posa”, é isso aí, há tantas aqui... Há tanto por vir, e estou me apresentando ao espelho todos os dias. Tem gente que nem se olha.
As palavras escrevem trilhas; cheguem a mim, elas estão aqui, soltas e leves... Buscando.
Minha rebeldia me veio hoje, tardia; nunca na adolescência, ou antes, me filiei, adorei bandas, segui modinhas, fundamentei meus sentimentos sobre o mundo em coisas fora de mim; sempre me achei autora daquilo que vive aqui dentro, mesmo que ouvisse parecido de outros, eu me era, sozinha comigo em infindas noites num mundo-quarto, era criadora de mim e do mundo. Mas quanto não sabia... Quanto não sei...
Me ‘imaginei’ quantas vezes romper a bolha de imaginações em que vivia, e finalmente experimentar as borbulhas da minha alma, sair do intocável e experimentar as sensações. Sempre usei muito bem meu tempo pensando, mastigando idéias, mas não é suficiente, não pode ser.
É justo que minha natureza revolucionária vá ao mundo, se manifeste concretamente. Até que descobri onde eu me fixaria com toda minha alma e a ela permitiria um lugar de liberdade. Nas palavras. Não tive circunstâncias que me levassem a desabrochar de outra maneira, a não ser essa silenciosa, quieta em princípio, mas capaz de causar arroubos como qualquer revolução.
A palavra é como grito minhas batalhas íntimas e invisíveis a vocês, outros; é como me ponho, é por onde me chegam, por onde eu sigo.
Poderia ter sido uma rebelde em época certa, me encaixaria numa adolescente punk, hippie, rock; tenho sentimentos pra qualquer uma dessas vias, mas estive aqui, em mim, colhendo meu próprio material, fazendo meu repertório solo.
Cultivo uma pose pouco simpática, mas é pra quem me olha rápido, fácil, quem me olha devagar e com cuidado sabe ter de mim o que é bom. Ouvi o Lobão cantar agora que “há sempre uma outra pose por trás de quem posa”, é isso aí, há tantas aqui... Há tanto por vir, e estou me apresentando ao espelho todos os dias. Tem gente que nem se olha.
As palavras escrevem trilhas; cheguem a mim, elas estão aqui, soltas e leves... Buscando.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011

É exatamente como li nas palavras de Martha Medeiros; o amor é que me justifica como ser humana. Não pretendo colher frutos de riqueza, acumular vitórias e exibir conquistas na vida a não ser as afetivas, a não ser as que soletrem a-m-o-r...
Você vai ter um bom diploma pra justificar os anos de vida, carro, casa e mulherzinha concursada, vida perfeita!
Eu vou ter muitas histórias pra contar e justificar meus anos vividos, um lugar pra descansar minha alma, um cangote com cargo definitivo, um homem concursado em sentimentos... Essa vida perfeita!
Eu gosto de gente que se dá aos prazeres da alma! Não gosto de gente certinha, com roteiro certo na vida, que nuuuuuuunca sai da linha...
É saudável ter um foco, mas quem não sabe que também é saudável perder o equilíbrio? Faz parte da vida, diz o roteiro nada certinho de um filme baseado no romance ‘Comer, rezar, amar’, que, “perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver em equilíbrio”. Que lindo! Pra quem olha pro mundo com olhos de sede.
Encontrar sua vida com a de outro alguém vai fazer de você muitas vezes uma bagunça... Que delícia! Se desencontrar e reconstruir dentro e com alguém. Isso é se relacionar, é estar junto, é dividir você e o que existe, pra somar.
Sair do programado pra experimentar vida, isso é amar!
Assinar:
Postagens (Atom)
Os textos deste blog são de minha inteira autoria, excetuando eventuais publicações de autoria de terceiros que são devidamente reconhecidas.
Agradeço, de coração, a visita !
Cinthia Freitas
Agradeço, de coração, a visita !
Cinthia Freitas