domingo, 3 de abril de 2011

Criança abrindo presentes de natal; as noites de domingo, em casa, me trazem a mesma felicidade. Vazia, acolhedora, cúmplice dos secretos murmúrios, a casa, e eu.
Espero a semana toda por essa solidão, enquanto os outros rezam eu canto uma oração(sem pretensão de rimar)... “a depender de mim, os psicanalistas estão fritos, eu mesmo é que resolvo os meus conflitos, com aspirina amor ou com cachaça”. Depois danço pro espelho, meu confessionário, e sorrio de mim.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Estupidez. Um nome para muitas coisas que me rondam. Aliás, rondar me lembra moscas, essas coisinhas que só sabem zumbir insuportavelmente e, claro, incomodar.
Não bastasse a luta incessante de cada indivíduo para se colocar no mundo de alguma forma, tem a tal e não menos cruel luta íntima. Nós, em nós, conosco.
Por que luto? Para suportar duas velhas amigas do meu convívio: a Estupidez e a Hipocrisia. Luto para não deixá-las tão íntimas, luto para não me enxergar nelas. Tenho muito de humano, sensato, emocional, para ser desperdiçado dando lugar à essas velhas pobres de espírito.
Como é difícil ser rei em terra de cegos.

quarta-feira, 9 de março de 2011


É incrível a minha carência de contato, de afeto, de afirmação. Não sei onde eu me perdi, que fiquei tão vazia, tão incompleta... O tempo inteiro sinto a necessidade de me agarrar, me segurar. Nossa... É porque não sei pra onde tô indo. E parece que o mundo todo se encontra, se aquieta, se resolve; e só eu fico aqui com as mãos estendidas, esperando alguém que segure firme, que talvez nem precise me guiar, mas muito mais que me agarre de tal forma, que eu saiba que posso ir por qualquer caminho. Estou tão covarde que preciso culpar alguém por minhas escolhas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Piso duro, queixo erguido. Lanço um olhar, sobrancelha arqueada, pra um idiotinha qualquer que me atravessa. Tenho curta paciência pra curtos neurônios, pra pouca sensibilidade; curtas palavras, nada a dizer, pra quem não sabe o que quer ouvir.
Minha rebeldia me veio hoje, tardia; nunca na adolescência, ou antes, me filiei, adorei bandas, segui modinhas, fundamentei meus sentimentos sobre o mundo em coisas fora de mim; sempre me achei autora daquilo que vive aqui dentro, mesmo que ouvisse parecido de outros, eu me era, sozinha comigo em infindas noites num mundo-quarto, era criadora de mim e do mundo. Mas quanto não sabia... Quanto não sei...
Me ‘imaginei’ quantas vezes romper a bolha de imaginações em que vivia, e finalmente experimentar as borbulhas da minha alma, sair do intocável e experimentar as sensações. Sempre usei muito bem meu tempo pensando, mastigando idéias, mas não é suficiente, não pode ser.
É justo que minha natureza revolucionária vá ao mundo, se manifeste concretamente. Até que descobri onde eu me fixaria com toda minha alma e a ela permitiria um lugar de liberdade. Nas palavras. Não tive circunstâncias que me levassem a desabrochar de outra maneira, a não ser essa silenciosa, quieta em princípio, mas capaz de causar arroubos como qualquer revolução.
A palavra é como grito minhas batalhas íntimas e invisíveis a vocês, outros; é como me ponho, é por onde me chegam, por onde eu sigo.
Poderia ter sido uma rebelde em época certa, me encaixaria numa adolescente punk, hippie, rock; tenho sentimentos pra qualquer uma dessas vias, mas estive aqui, em mim, colhendo meu próprio material, fazendo meu repertório solo.
Cultivo uma pose pouco simpática, mas é pra quem me olha rápido, fácil, quem me olha devagar e com cuidado sabe ter de mim o que é bom. Ouvi o Lobão cantar agora que “há sempre uma outra pose por trás de quem posa”, é isso aí, há tantas aqui... Há tanto por vir, e estou me apresentando ao espelho todos os dias. Tem gente que nem se olha.
As palavras escrevem trilhas; cheguem a mim, elas estão aqui, soltas e leves... Buscando.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nós nos comunicamos... Sinto teu cheiro e descubro relações dele com a minha memória, te toco e meu corpo te fala, você me beija e escuto frases. Só não podemos usar palavras, elas se transformam em imprudentes, brotam acidez, ferem, corroem a frágil ponte que pende entre nós.

domingo, 13 de fevereiro de 2011


É exatamente como li nas palavras de Martha Medeiros; o amor é que me justifica como ser humana. Não pretendo colher frutos de riqueza, acumular vitórias e exibir conquistas na vida a não ser as afetivas, a não ser as que soletrem a-m-o-r...
Você vai ter um bom diploma pra justificar os anos de vida, carro, casa e mulherzinha concursada, vida perfeita!
Eu vou ter muitas histórias pra contar e justificar meus anos vividos, um lugar pra descansar minha alma, um cangote com cargo definitivo, um homem concursado em sentimentos... Essa vida perfeita!
Eu gosto de gente que se dá aos prazeres da alma! Não gosto de gente certinha, com roteiro certo na vida, que nuuuuuuunca sai da linha...
É saudável ter um foco, mas quem não sabe que também é saudável perder o equilíbrio? Faz parte da vida, diz o roteiro nada certinho de um filme baseado no romance ‘Comer, rezar, amar’, que, “perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver em equilíbrio”. Que lindo! Pra quem olha pro mundo com olhos de sede.
Encontrar sua vida com a de outro alguém vai fazer de você muitas vezes uma bagunça... Que delícia! Se desencontrar e reconstruir dentro e com alguém. Isso é se relacionar, é estar junto, é dividir você e o que existe, pra somar.
Sair do programado pra experimentar vida, isso é amar!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


fingir de ser louca, fingir de ser outra... a dor tem dessas.




[Davi me traduz.]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Então deixa vir, deixa correr pra fora, pra longe ou pelos lados, escorrer, pingar, escapar...
Pensei que podia, que minha cabeça funcionaria com força mesmo separada do meu coração. Pensei que sabendo a coisa certa, era só o que precisava, era causa ganha, batalha logicamente vencida.
Não, meu coração tem ainda o dever do luto, precisa cumprir as etapas, tentar respostas para as questões que nunca foram, e nunca serão resolvidas, ele precisa atravessar a revolta do fim.
Há uma urgência em mim agora, de provar o gosto amadurecido de uma relação, mas claro só estou fazendo, querendo, tudo às avessas, de novo. Não me dei tempo pra sofrer. Estou sofrendo pelo que ainda não tenho, mas é porque sinto, todo o tempo, o que perdi.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu não tenho portas abertas, e nem preciso estar do lado de dentro segurando a maçaneta, apoiando o peso do meu corpo. Mas fico emperrada, se o tempo corre rápido e se não corre também. Preciso mais dele que ele de mim, preciso dele exato.
Não sou como as outras pessoas, as simples, as que têm portas abertas mesmo nos tempos difíceis, que saem e entram à vontade e deixam sair e deixam entrar. Eu não, estou aqui dentro, não me tiro daqui, ninguém me tira daqui.
Algumas vezes procuro palavras alheias, frases bem configuradas, idéias bem arrumadas, coisas de gente que já morreu, coisas de quem se acha muito vivo, e quando nenhuma dessas buscas funciona, lembro de um lugar [in]falível, confortável: eu.
Tenho janelas abertas, pulo por elas quando é preciso sair de mim. Por elas vem o que precisa ser menos eu. Mas, tendo portas fechadas, vezes muitas somente eu me basto, e as idéias e palavras que procuro não completam porque, à portas fechadas, eu sou só, somente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tecendo outro enredo

Você queria esse amor com história longa no calendário, você merece um pouco, todo mundo que sonha e quer coisa assim tão boa merece, mas você esquece de dar uma força pra acontecer. Não é fácil amar.
Não posso pensar com a memória porque machuca demais ter a cabeça tão boa agora, então, me distraio, embora até as letras casuais do meu caminho formem teu nome por onde passo.
Respeito teu limite de caráter, mas não abro mão do meu. Feitas as escolhas, aqui estamos... Novo caminho, novo ano, embora a história permaneça enraizada com os detalhes que não me poupam. E embora corra uma nova alegria por meu labirinto interior.
Nesse ângulo me vejo melhor, certezas bem postas, pé ante pé, estou indo. Melhor, já fui, já estou além.
Os textos deste blog são de minha inteira autoria, excetuando eventuais publicações de autoria de terceiros que são devidamente reconhecidas.
Agradeço, de coração, a visita !



Cinthia Freitas