sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Por favor, me deixe acreditar no homem, me deixe amar o homem, me deixe ser homem.
Não alarguem as suas particularidades aumentando também assim a distância de nós, porque já é grande dentro a distância de nós em nós mesmos.
Por favor, não quero muito.
Só quero acreditar em PESSOAS, HUMANAS.

sábado, 31 de julho de 2010


Condição para ser humano, dizem, é a racionalidade. Penso se o homem, assim como o leão que se prepara para a caça com astúcia, e calcula espaço tempo e jeito, usa o instinto ou a razão.
O homem caça a si próprio, como um gato confrontando um espelho quase sem reconhecer que é a ele que se devolve; cria boas armadilhas, calcula suas falhas, o caminho certo para achá-las e fareja o seu medo.
Onde esse homem vai se encontrar, se todos os dias ele se vê, e assim não se é o bastante?
Leões ou gatos, o homem, na verdade poderia ser ser/humano, mas perdeu o sentido em alguma parte do caminho.



e numa leitura coincidente...

" No homem, as necessidades e os meios de sua satisfação não têm freios, pois, constituem um horizonte aberto_ o que, portanto, o diferencia do mundo do animal, uma vez que este já está pronto, determinado e limitado. A força de sua imaginação alarga o círculo dos seus desejos. Mas nessa fruição ilimitada, ela se perturba, destrói-se a si mesmo e ao seu conceito substancial."

Sociedade Civil e Sociedade Política em Hegel
(Doutora em Filosofia, Marly Carvalho Soares)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não preciso que me poupem às falhas. Não quero essa infeliz filosofia de “cada um no seu lugar”. Quero é aprender as diferenças, apreender sabedoria para dar lugar às outras vias que não minhas.
Eu quero chegar mais perto das pessoas, ultrapassar meu instinto de sobrevivência que me faz querer sobrepor, largar na frente. Eu quero andar junto. Quero pisar todos os caminhos.
Caras feias, pouca humildade, maldade. Doação, empatia, bondade. Vou percorrer essas possibilidades, me desencontrar e construir.
Não quero rimar as escolhas, só quero ser possível. Tudo que me é direito. Não me recolho.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Todos os dias esbarro nas minhas possibilidades, no meu limite. Onde começa o outro e sou obrigada a me encerrar. Caso contrário, abarcaria-os, engoliria-os, todos. Vivo querendo pôr dentro de mim menos de mim, e mais da sabedoria de sentir o que passa ao redor.
A vida sem linha de chegada, e com segura partida, me faz partir sempre.E as coisas também na mesma medida partem de mim.
Estou aprendendo o vício do abandono.
Me devolva para os lugares das boas lembranças! Que também já aprendi a recomeçar...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Notas de rodapé

Se fosse possível consertar o mundo, pra mim, seria feito tudo se você atendesse a um único pedido: Me ame. Me ame acima de tudo.
Quando é preciso romper com a serenidade, só é possível para quem conhece o caminho de volta. Tenho que conhecer meu silêncio para ter direito ao grito.
Abandonar a intuição, defesa sutil e doce que me faz um tanto mais delicada nessa fuga combatente das rasteiras, não é a melhor solução.
Acho que tanto mais amor eu reconheço em mim, mais incompleta na verdade eu me torno. Já que ele pede, ele busca, ele não se satisfaz e se basta.
Gosto de ter defeitos, eles também me qualificam, também me determinam. Amor demais não é defeito. Essa incompletude também não, sequer é do meu domínio. Mas a minha insatisfação crônica e a minha ignorância em não me aprender nos meus limites, acho que é.
Eu não a perdi para sempre. Acho que nunca perdi alguém para sempre. Mas perder aos poucos parece muitos mais doloroso.
Os textos deste blog são de minha inteira autoria, excetuando eventuais publicações de autoria de terceiros que são devidamente reconhecidas.
Agradeço, de coração, a visita !



Cinthia Freitas